Criando a empresa moderna: O que fazer e o que não fazer.

Criando a empresa moderna

Todos querem estar em uma empresa moderna. Ninguém quer trabalhar em uma empresa antiquada. Ninguém quer comprar produtos de uma empresa antiquada. E ninguém quer investir em uma empresa antiquada.

O CEO Jeff Immelt, ex-líder de um das maiores empresas do mundo, a GE (General Electric) falou isso em meados de 2017 para Eric Ries, criador do método Lean Startup.

A GE, empresa fundada por Thomas Edison, sempre foi um ícone de empresa inovadora nos EUA, visto que seu fundador foi um dos maiores inventores da história, porém ela há anos apenas se aproveita de sua posição de empresa consolidada e não inova constantemente, não é uma empresa nova.

E apesar dos mais recentes esforços da GE se reinventar, até com a troca do CEO Jeff Immelt por John Flannery, a empresa saiu do Dow Jones, índice das maiores empresas dos Estados Unidos em que ela estava presente há mais de 100 anos. É apenas o reflexo de anos vivendo no passado.

Uma nova forma de pensar inovação

O mercado está cada vez mais acelerado, e por isso, mudando a realidade de muitas empresas como a da GE. A adoção de tecnologias está muito mais acelerada. E em comparação, a eletricidade demorou quase 50 anos para ser adotada por 25% dos lares americanos, enquanto o smartphone em teve a mesma adoção em 2 anos.

Estamos passando por um momento de ressignificação da percepção empresarial sobre o mercado. Assim como em 1930 após o crash americano, onde foi preciso ressignificar as políticas macro e microeconomicas que causaram a crise com o excesso de oferta. Hoje é preciso parar de pensar que novos produtos (inovação) são variações de produtos já existentes. É preciso mudar a nossa percepção que crescimento será através de apenas novas ações de publicidade para novas audiências.

Inovação e futuro estão intrinsecamente ligados, e a inovação que leva uma empresa para o futuro virá pela força da marca, novos produtos, modelo de negócios ou tecnologia.

Aceitando e lidando com o imprevisível

Algumas coisas da gestão de empresas atual são bizarras quando paramos para pensar.

A inovação é assassinada na raiz e nem notamos, jogamos fora o próprio combustível de sobrevivência da empresa com métodos e processos totalmente aversos a inovação. Não há problemas em seguir metodologias mais antigas, como o Six Sigma, mas elas costumam abominar falhas, e isso é um erro.

A abominação às falhas leva as empresas a caírem no erro de pensar que a inovação que vai levar sua empresa para o sucesso é melhorar aspectos de produtos já existentes, através da conhecida Inovação Incremental.

A questão é: o que leva uma organização a ser uma empresa moderna é abraçar as falhas, criando e testando novos produtos.

Como Jeff Bezos, fundador da Amazon e homem mais rico da histórica moderna da humanidade, diz:

“Eu gastei bilhões de dólares com fracassos na Amazon.com. Literalmente. Nenhuma desses fracassos foi divertido, mas eles também não importam. O que importa é que empresas que não continuam a experimentar ou abraçar fracassos, eventualmente, ficam na posição de que a única coisa que poderão fazer é um Hail Mary* no fim de sua existência corporativa. Eu não acredito em apostas para apostar empresas.

*Hail Mary (Ave Maria) é um tipo de jogada do futebol americano em que um jogador aposta o resultado do jogo em um lance. É extremamente rara de ser feita com sucesso.

Não dá para ter grandes vitórias no mercado sem pequenas falhas, simplesmente porque falhando você saberá qual o melhor caminho para a grande vitória.

Metas vs Inovação

Muitas vezes, empresas realizam planos, metas e “previsões” que são totalmente inventados, regrados apenas pela expectativa, e julgam seus funcionários como bons ou ruins apenas por isso.

Veja bem e com cuidado (para evitar polêmicas), modelos como planos de negócios que fazem previsões inventadas que são ou não alcançadas foram feitos para um sistema antigo, o mesmo que tirou a GE da Dow Jones. O contexto de criação desses modelos era diferente, e cada vez mais, não servem para os dias atuais.

Por exemplo, quando uma equipe não alcance uma meta inventada pela empresa, muitas vezes culpamos a má execução. Mas se a própria previsão foi uma invenção, conseguimos realmente afirmar que a culpa é da má execução?

Pare de procurar inovação nos resultados semestrais de sua empresa.

Além disso, funcionários que apenas cumprem metas (previsões) geralmente são promovidos, o que é ótimo. Mas à longo prazo, os funcionários ficam treinados apenas para cumprir aquelas metas e não sair da famosa “caixa”, a mesma caixa que as empresas pagam treinamentos para que um consultor externo tire seus funcionários da caixa que eles mesmos colocaram, com um treinamento de 16 horas para não afetar o “funcionamento da empresa”.

Para sair do loop de que metas vs inovação, é preciso confrontar o perpetuamento funcionários, 

É essencial criar uma contabilidade para inovação para melhor rastrear as ações da empresa. Alinhar métricas úteis, fazer testes A/B para estimular o aprendizado para usar o feedback no modelo de negócios. Caso queira, esse assunto foi desenvolvido detalhadamente no capítulo 5 do eBook Metodologia Lean Startup

O que é necessário hoje para criar uma empresa moderna

Atualmente, com o mercado muito mais competitivo, não basta apenas produzir, distribuir e esperar sentado os altos resultados de vendas. Para tal, o Sistema Toyota de Produção provavelmente é o melhor método, mas a empresa do moderna precisará descobrir e testar para saber o que produzir em primeiro lugar.

Por isso, a empresa do moderna será formada por pessoas com habilidades como empreendedorismo e criatividade. Habilidades essenciais para atiçar a curiosidade e manter o espírito inovador ativo na empresa.

Pare de procurar inovação nos resultados semestrais de sua empresa, pois ela apenas dá resultados à longo prazo. E para tal, é preciso aceitar a imprevisibilidade e aleatoriedade das coisas, falhas acontecem e são necessárias para a empresa moderna.

O mais importante é perceber que toda empresa pode mudar, sair dos métodos gerenciais do passado que abominam erros e alçar sua visão para mais longe, ao futuro.

Fontes:

The Startup Way

Lucas Teles

Lucas Teles

Diretor de Inovação na CRIARH Consultoria e apaixonado pela transformação que a criatividade realiza na mentalidade de pessoas e negócios.

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